terça-feira, 15 de junho de 2010

Crônica de Inverno



            Estava eu aqui, desolado ,levemente aquecido pelo calor que o fogão emanava.Resolvo me encostar  na cadeira e dar a devida atenção para cena que se desenrolava a poucos metros de mim. Há um homem, já velho, com oitenta e três anos (creio eu),tomando em sua simpática xícara amarela, um cheiroso e esfumaçado café preto. Ele tem cabelos despenteados e seu semblante é cansado.A noite já anunciava o típico frio de inverno e como todos os fins de tarde,mais uma vez o homem devorava as bolachas secas,os farelos voando felizes pela mesa.Sacos de biscoito e adoçante dietético,repousam como quem não quer nada, ao lado do radinho azul,o qual embala essa fria noite com músicas que faziam o homem retornar a sua juventude e lembrar como tudo era mais fácil.                                                                    
            Terminada a sonolenta música,de acordes suaves e tristonhos,ele senta-se no banquinho em frente ao fogo que estala e crispa ruidosamente.Era o único som que se espalhava pela cozinha circular.Endireito-me na cadeira e arrumo as almofadas de lã mesclada.Observo novamente o homem,agora com mais curiosidade que antes.Ele não comia,nem cantava,nem aquecia-se.Para minha surpresa,ele dançava uma valsa solitária e rodopiava como se realmente estivesse com sua amada nos braços!                                                                                                                      
          Até o olhar,antes cansado e desiludido,brilhava tanto quanto a chama avermelhada ao meu lado.Ele lembrou-se,dizendo-me mais tarde,de como dançava em noites como essas, com sua mulher.                                                                                                                   Era uma paixão que o tempo não apagaria,como apaga os dizeres na areia,nem congelaria,como a brisa faz com as folhagens mais novas.E cada vez que ele ouvia o som do estalar da madeira quente,acompanhado do café que sua mulher fazia tão bem,ele sabia que não estava só.Estava em memória com seu antigo,porém tão vívido,amor. 


A ética e o comodismo político




 O ato corrupto dentro da política mundial,e em especial brasileira,não é novidade alguma.Encaramos o político corrupto como mais um fardo nas costas do pobre cidadão.Contudo,cabe à sociedade uma participação mais ativa e um menor senso de comodismo.
Primeiramente,temos tendência de generalizar a classe como totalmente corrupta,sem ressalvas.A função do político é representar os anseios e os desejos do cidadão,para que munido de poder,possa trazer soluções práticas aos problemas sociais.Ele é eleito através do voto direto,havendo possibilidade de alternância caso não respeite a ética,e a sociedade sabe disso.Todavia,não há apoio para aqueles políticos empenhados no seu papel de transformador,nem movimentações intensas por uma sociedade de fato justa.

Com base nisso,podemos perceber uma vitimização do cidadão frente ao político mau.Mas se um representante da sociedade é corrupto,isso significa ou falta de instrução por parte dos eleitores ou que a sociedade é corrupta tal qual seus representantes.Para que possamos fiscalizar com coerência o trabalho de um político,temos de repensar pequenos atos,como pedir nota fiscal e pagar em dia os impostos.Dessa forma a sociedade estará apta a escolher com mais cuidado seus políticos.
Conclui-se,dessa forma,que o único meio de acentuar a ética no Brasil é acabar com o comodismo político.Incentivando a mudança e o questionamento,por meio de palestras e campanhas,em prol de uma sociedade mais consciente dos valores morais brasileiros.

 
 

domingo, 13 de junho de 2010

Culpadocupidocuzão

Um cupido azul,flecha sem dó.
Um comprimido só,sono azul.
Um dia sem ver o sol,um dia sem ver o mar.
Cupido vermelho,flecheiro estúpido.
Que no ímpeto de acertar,errou.
Mas que posso fazer eu,se te amar,é a coisa mais pura que já me ferrou.
Casa sozinha,dormindo ao relento,daria tudo,para que voasse pelo vento.
Vendo as luzes das cidades,brilhando foscas,o ar gelado...que amado seria,viver nesse devaneio...

Mas os cupidos me vêem no céu,e com sorrisos de escárnio, me dizem :-------->    Você não pode voar aqui,Santa Maria não permite.Oh,mãe,corte as asas desses cupidos e me permita acordar.
Acordar,acordar...amar,acordado,dormir amando,a mando Dele.
O comprimido volta só,os olhos abrem sem dó,o raio de sol brilha e o mar canta. 
    É um belo domingo de Santa!









quinta-feira, 10 de junho de 2010

Sabe aquela felicidade sem motivo?

E quando se tem motivo,cadê aquela felicidade?

Sabe aquele amor sem fim?
Cadê ele quando se ama de verdade?
Sabe aquela vontade de gritar como louco?

Sabe esses pontos
 de interrogação que se postam entre as palavras?

Sabe?as?palavras?

Que me servem elas quando estou feliz,se não consigo gritar sem fim?

Sabe aquele motivo quando se ama de verdade e se perde nos pontos de interrogação?
Se não sabes,adicione mais um 
(?)
Aquela?Quando?Aquele?Ponto.Ama?Ponto.
Grita?Não tem voz.Apenas palavras, 






FIM ?

terça-feira, 8 de junho de 2010

Circo e cinzas





























Os carros param,todos olham,mas não sabem o que procuram.
O que aquele menino tem de mais?
Não sabem o peso da armadura que carrega.O chumbo derretido que corre naquelas veias.
Os ônibus param,todos olham,mas não sabem o que procuram.
O que aquele moleque tem de mais?
Não sabem o peso das suas botas,como elas refulgem ao sol do entardecer.
As caravanas,o circo e o prefeito vieram ver essa nova espécime.
O que esse ser tem de mais?
Dizem que fala,mas não como nós.
Dizem que ele voa,mas não tem asas.
Oh,pobre h., não entendem a evolução de uma alma.

Acho fantástico a quantidade de pessoas que dizem: "Eu não vejo BBB,sou culto". "Eu não assisto House ou Friends,tenho mais o que fazer". Contudo,essas mesmas pessoas vibram na final de Copa e acordam cedo para ver os jogos da Olimpíada.No fundo não é tudo entretenimento?Eu não vejo diferença lógica entre uma partida de futebol e BBB. Na realidade, o Big Brother tem a carta na manga de precisar da opinião do Público,quando no Futebol,o resultado é inalterado,não importando o quanto você grite. Há um grupo seleto que diz só ler livros de autobiografia e teses publicadas,esnobando e rindo de best-sellers. Meu caros amigos,um TANTO QUANTO(muito) que aprendi nessa vida,foi tirado de livros de ficção.Lugares,culturas,gírias e comportamentos, os quais eu não teria contato lendo teses de Física Quântica.Então vou compartilhar rapidamente o que aprendi de alguns exemplares do entretenimento:


Friends: Não importa o quão loucas sejam as suas aventuras,não importa o quão certo você esteja,um pedido de desculpas sempre muda tudo.Somos humanos,estamos suscetíveis a erros. Rir é e sempre será, o melhor dos remédios.Nunca coloque a cabeça em um Peru de natal! :D
Queer as Folk: Pessoas sempre nos julgarão,não importa como estejamos vestidos, com quem andemos e como falemos.Contudo,sempre haverá pessoas que nos entenderão e amarão,tais como somos. Os amigos são essenciais em uma vida equilibrada. Quebre a banca e se mostre,enoje,apaixone e faça todos comentarem como você é (no fundo,em suas vidas medíocres, o maior sonho é ser igual).
The OC: Um lugar novo ou uma vida nova,nem sempre é a resposta. Você terá sempre menos problemas,se resolvê-los um por um,em vez de correr para um novo abrigo.Eles tem memória e passados bem vivos.Nunca foi fácil ser O diferente,mas nunca foi tão atraente aos olhos cansados do ordinário.
BBB: Gostamos de ver pessoas chorarem,brigarem,amarem,porque somos feitos disso. Ainda estamos vivos,respirando,porque sabemos que amanhã podemos nos apaixonar,morrer...esse é o combustível da vida e dos melodramas dela.Nós vivemos para morrer tragicamente,pois não existe vida ou morte que sejam simples aos olhos humanos.


segunda-feira, 7 de junho de 2010

Não é um poema feliz,recue.



O piscar frenéticos das luzes,o balanço incerto dos nossos corpos,um constante desviar de olhos.
Ouvi dizer que você tem outro,boatos ruins se espalham rápido,como pó de veneno. 
Fumaça subindo em espiral,sorrisos tristes,cerveja cinza.
Você ouviu dizer que tenho outro,eu não nego.
O choro vem e vai,mas os olhos estão secos e ardidos;
A música melhora,eu danço até meus joelhos quebrarem e então fico bem...bem sozinho na minha multidão particular..

Vamos brincar de Aliteração





Enquanto exaspero-me encontrando encantos
,na nula tentativa de atenção,
em sua núbia face vejo a tentação
 trincando a máscara e a lástima,
 de não poder trocar os pares plasmados
,assustados,passados,no rastro certeiro e cavaleiro,
no qual,a vermelha vida nos vermificou.
Luzes lumiam liricamente na trágica triste tristória desse trio não formado.
Estive extremamente perto dos teus lábios,lúdicos,livres e longes.
Mas meu mistério me diz dentro de mim que aquele dia foi tão apenas um dos tantos que virão.   



Estreante na série "CAUSOS"



                 Okay,vamos lá.Quem nunca teve algo sobrenatural para compartilhar?Ou pelo menos uma história na qual a imaginação nos pregou peças sem graça?Vou fazer um relato rápido de algo que sempre que relembro,deixa-me perturbado. Estava sozinho em casa,no silêncio que nos é de direito quando isso acontece,vendo um filme muito bom de comédia. Meu quarto está trancado a chave e a luz do monitor oscila deixando meu sofá,cobertas e tapete, azul celeste.Veja,tenho problemas para gostar de filmes de comédia,mas esse me distraiu completamente,sendo que minha cabeça estava leve como um balão de gás.Desligo o monitor,desligo o computador e me deito para curtir o calorzinho das cobertas.Aquela sensação de bem estar ainda toma conta de mim e meus olhos já estão fechados,o corpo entrando no estado entre o sono e a consciência...tudo bom,tudo bem.Mas algo acontece.A atmosfera parece mudar muito rápido e meus olhos abrem-se sem eu pedir.Tive a forte impressão de estar sendo observado.Não havia mais calor no quarto,apenas medo e frio.Cada barulho toma uma proporção gigantesca e não há dúvida que não estou mais sozinho. Me encolho voltando para posição fetal quando percebo o movimento.Sinto que há várias pessoas caminhando pelo meu quarto,sem ponto de partida nem chegada,apenas perdidas.Muitas pessoas,uma multidão.Entro em pânico,pois não vejo nada.Minha pele se arrepia toda ao sentir que eles,quem quer que fossem,pararam.Eu ainda podia ouvir uns ecos de passos,o que não fazia sentido,meu quarto é revestido de um grosso tapete marrom.Logo me jogo o máximo de encontro à parede,rente à cama, e fecho os olhos.O lençol parece pesar sobre meu corpo. Apoio a cabeça na extremidade do travesseiro,esperando que o pior tivesse passado.Hmm,gente,era um travesseiro de penas,grande,volumoso e pesado.E eu senti ele afundar,assim como toda a parte direita da cama.Começo a chorar baixinho e pedir a Deus que o que quer que seja isso,que vá embora,que me deixe em paz,que me liberte dessa sensação mortificada de dor.Relembro e rezo,para mim,o que minha vó me ensinou,anos atrás."Pai nosso que estais no céu,santificado seja o vosso nome [...],termino com um forte e incrível LIVRAIS-NOS DO MAL,AMÉM. Adormeci como se por mágica,então.
              Se querem dizer que foi minha imaginação,tudo bem, sintam-sem livres para isso. Mas algo eu tenho certeza...estava acordado o tempo todo e a única coisa que me fez sentir melhor,foi o conforto da oração. Essa é uma história que quis compartilhar. Obrigado pelo seu precioso tempo e não durmam sozinhos hoje. =)

Prazer

Será o primeiro post neste blog , novo, engatinhando aos tropeços, como a nossa primeira vez? Gostoso de se digitar, um tanto quanto atrapalhado com as palavras , as quais são cuspidas rápidas, sinceras e simples. Ou será ele perigoso e tão errado quanto certo? Fará ele arrepiar cada centímetro de pele e contorcer meus dedos? Erros ocasionais já possuem mentiras pré-estabelecidas, então. Certo? Meu primeiro post não é sobre sexo, não é sobre beterraba ou sorvete. É sobre prazer. Sobre essa sensação de querer gritar, arranhar a garganta, não ter mais uma , desejar outra garganta, calá-la , abrí-la e então... é apenas mais um órgão do corpo. Coração rápido como um motor, mortificado de vida e então...mais um órgão. Esse momento no qual tudo que está dentro de nós parece esmiuçado em sensações, cores , sabores gritantes, muitas texturas e e ...e então passa,sendo que tudo nos resta depois, é um sorriso e memórias esfareladas.

Bem,tenho certeza que será muito prazeroso escrever aqui , neste blog , mas isso será apenas tornar online e legível, aquilo que flutua na minha cabeça, como bolinhas de papel perdidas. Mas não seria nada comparado ao prazer de saber que há pessoas que por ventura poderão gostar do que transcrevo.

Sejam bem-vindos à selva de pensamentos,histórias,"causos",gostos musicais,filmes,frustrações e alegrias , que com o tempo espero poder dividir!