sexta-feira, 23 de julho de 2010
Não seja tão medroso,
pule mais um degrau.
Q
ueb
re a perna e chore pela mamãe.
Faça um curativo e beba uma cerveja.
Assunto de homem.Código estúpido.
T r i t u r e seus conceitos,q
u e
bre alguns pratos,fume alguns cigarros cigarros cigarros
Gosta do tabaco?Não...medroso.
Gosta do cheiro do couro?Não...mentiroso.
Fure pneus, sinta-se livre, mafioso.
(Dobre a pena)²,dessa cela tão pequena,e troque de pele,cordeiro.
Perdeu seu isqueiro?Ponha fogo na casa,na cama,no computador.
Sinta-se vadio,livre como um maldito pássaro do deserto.
Agora voa,porra,voa porque o mundo é de um certo esperto.
domingo, 18 de julho de 2010
Somos puro plástico
Com egos elásticos
Sem articulações
ou corações.
Somos pura porcelana
Com consciência leviana
da vida lá fora.
Somos bonecos surrados
amarrados na verdade.
Não nos permitem sair de nossas caixas lacradas
Mas assim são nossas vidas,travadas no tempo
Dizem que somos fúteis em tudo,mas não veem o mundo
como eu tento.
Somos carinhosos,vergonhosos e odiosos em nossa natureza.
Somos beleza de um sorriso ou olhar,somos a dor de um solitário vagar.
Ora sim,ora não,encontra-se um sabiá,de plumagens belas,que se põe a cantar.
Assim nossos corações inexistentes,nascem de canções sorridentes,pois só assim,se pode amar.
Dizem que somos extravagantes,irritantes,hilariantes.
O que é verdade e sabotagem.
Eles ficam cercados em suas brumas da mesmice enquanto inovamos nossa tosquice,fazendo-nos sempre algo a se falar.
Enquanto isso somos apenas bonecos estáticos em nossas caixas de plástico!
Sem articulações
ou corações.
Somos pura porcelana
Com consciência leviana
da vida lá fora.
Somos bonecos surrados
amarrados na verdade.
Não nos permitem sair de nossas caixas lacradas
Mas assim são nossas vidas,travadas no tempo
Dizem que somos fúteis em tudo,mas não veem o mundo
como eu tento.
Somos carinhosos,vergonhosos e odiosos em nossa natureza.
Somos beleza de um sorriso ou olhar,somos a dor de um solitário vagar.
Ora sim,ora não,encontra-se um sabiá,de plumagens belas,que se põe a cantar.
Assim nossos corações inexistentes,nascem de canções sorridentes,pois só assim,se pode amar.
Dizem que somos extravagantes,irritantes,hilariantes.
O que é verdade e sabotagem.
Eles ficam cercados em suas brumas da mesmice enquanto inovamos nossa tosquice,fazendo-nos sempre algo a se falar.
Enquanto isso somos apenas bonecos estáticos em nossas caixas de plástico!
sexta-feira, 16 de julho de 2010
A última que sorri.
Um cavaleiro altivo se aproxima,rasgando os cascos do cavalo em cascalho cru
A névoa encobre o dorso branco de ambos e tudo o que vejo é seu elmo a reluzir fracamente.
A luz da manhã está tísica,triste,assim como o povo que espera seu herói.
O cavaleiro tira seu elmo,atira sua armadura e finca sua espada.
Com voz solene,abafada,declara:
- Saudosos amigos,vivemos em harmonia outrora,mas agora o mal encobriu com seu véu de dor nossos acampamentos,envenenou nossa água e matou nosso Rei.É com pesar que digo em nome de nosso povo,cansado do sono eterno e do fardo da Guerra,que humildemente desistiremos e lançaremos nossos destinos à sorte D'aquele que a nós comanda.
A luz caiu,e a manhã não mais sorria para os homens,mulheres e crianças.
Exceto uma menina.
Seus cabelos cor de ouro bruxuleavam uma chama invisível e seus olhos eram serenos como o mar do Norte. E ela disse,com todo o mel das colméias e com uma voz aveludada tal qual flor nenhuma poderia:
- Por quê?
E sua voz ecoou límpida acariciando todos os ouvidos como um sussurro maternal de vento.
Olhos assombrados agora estavam cravados nessa menina.
- Eu não quero que minha mãe seja escrava do mal,que meu pai forje espadas que me matarão.Não quero ver nossos campos reduzidos a pó.Eu quero ser livre!
E então ela chorou copiosamente,todos os rios da terra,e enrubesceu seu rosto até um púrpura de dor.
O cavaleiro,tomado de um assalto de pena e coragem,pulou pelo lado esquerdo de seu cavalo e jogou-se aos pés da pobre menina.
- Juro-te ter feito o máximo para restaurar a paz e derrotar o inimigo,mas nosso lado foi o infortunado perdedor,minha querida.
Ela parou de chorar,de sorrir e falar,apenas fixou seu olhar d'gua-esverdeado nele.
- Então acabou meu papel aqui?- disse a menina após um longo intervalo. - Nunca abandonei seu povo,os homens e até mesmo os animais,e é isso? O fim? Não me diga que é.
O homem recuou assustado.
- Quem é você?
Ela sorriu.
- Sou sua melhor amiga,estarei com você e com todos até o fim. Sou a ESPERANÇA,meu caro.
Ela caminhou em sua direção, saltitando,sorrindo e cantando uma canção fantástica.Retirou o elmo e o coroou-o no belo cavaleiro e ainda cantado,curou o cavalo com o acariciar de suas mãos delicadas.Antes que percebesse, o homem estava montado,galopando com ferocidade para dar a notícia mais pura e feliz: Povo algum desistirá da luta!Reconstruiremos nossas casas,corpos e mentes enquanto houver uma criança sorrindo!
BREU: Fotografia/filmagem (parte 3): " Ele entrou,ela saiu"
Oh,parece que consegui uma excelente fotografia para vocês,não é?Mas definitivamente é uma pena que não tenha me atrasado alguns minutos para tirá-la.Poderia ter apreciado a vista de uma cidade sem luz e sem vida um pouco mais,ou ter notado a real distância da casa para a cidade,como ela ficava imponente no topo da montanha ou até mesmo como ela soava perigosa pela isolação natural. Talvez se tivesse feito alguma dessas coisas poderia ter agora uma foto muito mais clara,com tons alaranjados lindos,um homem misterioso e loiro,intrigas antigas e novas,todas prontas para estourar.
Mas nada é perfeito,certo?Eu consegui mostrar em detalhes negros,prata e azulados pra vocês, a situação do temporal,da chuva e do medo que se instalou.Mas não se preocupem,continua chovendo torrencialmente e o medo não é menor,mas as coisas evoluem de formas estranhas.Pessoas encontram-se em lugares que nem sempre deveriam estar, situações se criam quando menos se espera.Acho que é a fórmula mais simples para definir o acaso e o destino.
Eu admito que fiquei vendo essas mulheres mais do que deveria.Eu não fugi quando o vento ficou mais forte,ou quando pensei que Marie tivesse me visto.Sou um tolo e como todos os tolos,sou humano.Morro pela minha curiosidade e tenho um apetite voraz para histórias.Eu não pude partir quando eu vi nosso novo personagem entrando em cena.
Deixe-me filmar:
[ REC °] 14:12 h
Contra a correnteza de um novo rio em ascensão,afogando-se com a água que caia dos céus e com a água que lhe batia quase nos joelhos ossudos,subia um homem alto de pele acinzentada e olhar excruciante.Enrolado em um casaco negro e retalhado,típico de moribundos, ele arrastava a perna esquerda com muita dificuldade e que de longe dava a impressão de ter centenas de rubis cravejados,mas à medida em que o homem se aproximava da porta entalhada,pude vê-lo melhor.O osso branco e escarlate do fêmur do nosso Mensageiro era repugnante,assim como o cheiro de ferrugem característico do sangue que aos poucos impregnou meu nariz e revirou meu estômago,com o simples soprar do vento. Ele chegou à porta de madeira escura,aquela com animais entalhados,branco como o gesso,duro como o próprio osso que teimava em querer deixar a massa molenga que era a sua perna.O lábio fino se mexia rapidamente,ele gritava.Os olhos azuis e inchados choravam,mas logo a chuva tomava para elas as gotas que escorriam e limpavam os arranhões do seu rosto.Logo ele viu a janela,grande e que ocupava toda a parte da frente da mansão.Arrastou-se o melhor que pode e então viu-as.:Uma velha,uma loira,uma mulata,uma ruiva e uma morena. Cada uma de um pêlo,pensou.Mas todas tinham algo em comum.Usavam um vestido branco e azul,rendas em baixo e nas mangas,eram empregadas e se vestiam como tais.Nenhuma ali era franzina e arrogante como a mulher que ele procurava.Ele não estava gritando quando elas o fitaram,sentindo o pânico crescer dentro de si.Também não estava batendo no vidro,apenas desejando que uma delas fosse burra o bastante para abrir a porta para ele.O homem,agora que tinha a atenção da platéia, olhou para trás e depois para elas,improvisou a melhor cara de dor (não fora difícil,ele a carregava desde o nascimento) e desabou bem embaixo dos seus olhos.
O ruim é que nem sempre consigo descrever os acontecimentos em tempo real.É preciso manipular o tempo e os pensamentos para uma melhor descrição.Deixemos de lado o homem caído da nossa filmagem e voltemos para a sala com sombras alaranjadas.
O sofá parou de tremer.Era loiro.Tinha cabelos loiros e molhados até os ombros firmes e levemente arqueados.Esse sangue seria seu,estaria muito machucado?Ou então teria matado alguém?A polícia poderia estar em seu encalço.Era lindo e lembrava o Dieguito.Era misterioso e trazia à tona pensamentos há muito enterrados,afogados.Ele lembrava Ricardo.Oh,Deus,era muito parecido com Ricardo.Seria ele?Não,teria de ter mudado,muito tempo se passou desde então.O homem escorregava lentamente,a cabeça parecia estar cada vez mais pesada.Estaria ele morrendo ou fingindo?Oh,virgem Maria, porque está acontecendo isso logo hoje?!Teria realmente trancado a porta?Já nem tenho certeza mais se ela está fechada,menti para Marie.Se eu soubesse,se eu soubesse desse homem!Mas não,tudo ficou entre ela,Cássia e Jaque,o trio maravilha!E agora?
E agora?
Você consegue imaginar que pensamentos turbulentos,confusos e até mesmo contraditórios pipocavam entre suas cabeças?Um minuto se passara e elas continuaram ali.Paradas,esperando o sangue congelar totalmente,esperando alguma atitude dele.Ou delas.Mas nada ele fez durante esses 1 minuto e 20 segundos que se passou.Elas só pararam de tremer um pouco,o sofá estava praticamente vivo.Todas sentiam algo.Ninguém sabia o que era. Cecília levantou-se, o rosto um pouco vacilante. “Eu vou abrir”,disse com uma voz fraca,sem emoção.Caminhou ignorando os protestos de Ana Paula e Jaqueline,que consistiam em : “Não!”. “Você está louca?” e “Pelo amor de Deus,Ciça,não dê mais nenhum passo!”.
Marie levantou-se,o rosto decidido.Era apenas um borrão quando a porta da cozinha deslizou e fez clék. Estava fechada,selada por dentro.Os sons foram distintos:uma gaveta de correr abrindo e fechando,talheres e o silêncio.
Cecília abriu a porta de madeira,lutando contra o vento e desapareceu na escuridão.
Ambas as portas abriram-se.As duas explodiam em contrastes de cores. Da escuridão surgiram duas novas pessoas.Da chuva,um homem magro e ossudo,totalmente apoiado em uma negra.Da cozinha,algo que outrora fora semelhante à Marie,agora sem traços de bondade ou sequer de humanidade.Era apenas um rosto seco,sem vida e incrivelmente inacessível.Fechado para humanos,aberto para instintos defensivos.O avental florido e amarelo firme na cintura,uma faca de cortar carne,lâmina laranja,em riste.O estranho Mensageiro entrou e uma nova Marie saiu.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
BREU: Fotografia (parte 1): "A luz apagou-se e foram mergulhadas em um terrível e negro silêncio."
.Quando Cíntia chegou,com a bandeja de nachos,algo parecia estar errado.Ela olhou para Jaqueline e perguntou,bem devagar... “Quanto tempo fiquei fora?” “Não muito,porque?” “Olhem lá para rua”.
Às 9:00h da manhã,o tempo sofreu uma grande reviravolta.Toda a claridade transformou-se em breu.Então acenderam as luzes.As árvores pareciam querer juntar-se aos anjos,tal era a força do vento,que enraivecido,soprava.Ligaram o rádio.O portão,rangia e sacudia.Os vidros refulgiam e brilhavam a cada raio e trovão,respectivamente.No começo,eram gotas pequenas,espaçadas,depois veio a densa cortina de chuva que varreu tudo que encontrou pela frente.A luz apagou-se e foram mergulhadas em um terrível e negro silêncio.O medo começou a crescer agora que podiam ouvir suas respirações.As empregadas soltaram gritinhos de pavor.Marie,tão assustada quanto,tomou frente a elas,que estavam encolhidas em um canto,de frente para a janela.A mesma dava a impressão de qualquer minuto explodir em milhões de pedaços de vidros.
_______________________________________________________________
É uma pena que vocês não estivessem lá ,naquela fria e chuvosa manhã que virou noite sem aviso prévio.Queria tanto poder mostrar pra vocês a sensação de medo que aquelas 5 mulheres,de diferentes essências e idades,estavam sentindo.Ou até mesmo como tornaram-se uma,unidas pelo receio do desconhecido.Queria tanto uma forma de poder descrever como o vento era cortante e a chuva parecia ácido,pronto para corromper a frágil janela.Quem sabe eu tire uma foto,que tal?
Primeiro teria de subir uma árdua faixa de asfalto e cascalho,encarando o céu tempestuoso negro e revolto ,e aos poucos me aproximar da única residência da redondeza,a imensa mansão de Karina Monteiro.Fachada de vidro,telhas vermelhas, ornamentos em madeira nos cantos e tijolinho à vista nas laterais,faziam da casa dela a mais bonita da cidade.A mais cara,pelo menos.Não podemos esquecer da enorme porta de madeira ( não poderia ser diferente,não é?Lá mora um gigante de 1,50 m ) que tornava a entrada nada tranqüilizadora.
Continuamos subindo então,porém me desculpo, o vento me empurra com a força de um touro e admito que nunca senti tanto medo de ser esmagado como agora.As palmeiras parecem canudinhos de refrigerante cravados em algodão molhado e postos em frente a um ventilador gigante.Pelo menos a mim pareceu isso.Cheguei.A porta ornamentada com imagens de vários animais não me ajuda em nada em minha tentativa de permanecer calmo antes que o céu caia em mim. Há um enorme gavião esculpido na porta e ele traz uma cobra em suas garras.Ela é boa no que faz,pensei,essa tal de Karina.A uns três metros da porta, começa a fachada que falei anteriormente.Agora sim vou conseguir tirar a minha foto.Espio lá dentro.Está muito escuro.Olho em volta.A cidade inteira fora mergulhada nas trevas,postes devem ter caído e carros colidido.Um caos.Uma senhora com cabelos grisalhos e algumas charmosas mechas brancas está parada mais à frente das outras 4 meninas.Elas parecem muito assustadas.Colo meu rosto no vidro frio e vejo com mais clareza o rosto de Marie.Ela tem traços bonitos,mesmo para sua idade já avançada,mas a preocupação trás à tona três risquinhos ao lado dos olhos acastanhados claros,são rugas.Ela ainda está com uma bandeja de nachos nas mãos e pede para uma suntuosa negra,alta e com feições delicadas de princesa africana no seu auge,pegar o telefone no andar de cima.Ela balança a cabeça negativamente e posso ver o medo mais uma vez estampado em seu rosto.A loira encolhida no canto é só trevas e dela enxergo apenas as coxas firmes e o corpo encolhido em um canto longe de mais para meus olhos cansados e inundados de chuva, verem.
Nossa,a foto! Estava esquecendo.Elas nem repararão no flash tímido que dispararei com tantos raios a cortar o céu.Raios e luz.Acho que Marie me viu. Ou a minha sombra talvez.Está recuando...está sibilando agora,está mais apavorada do que nunca.
BREU: Fotografia (parte 2) - "Mentira faz as coisas parecerem seda quando são lã". "
- Prestem atenção no que vou falar agora pra vocês,preciso da total atenção de todas – A voz de Marie estava menos convicta,mais temerosa e levemente trêmula do que o normal.Sinal de mau presságio. – Ana Paula, você trancou a porta da frente?
- Tranquei sim,Marie,em seguida que a Karine saiu com a Victória. Porque?
- Por segurança,é claro.Cássia tu sabe onde estão as velas?
- No porão?- Não queria admitir,mas a palavra passou rasgando em sua garganta e apenas em pensar naquele lugar sua cabeça girou.
- Sim.É lá que estão faz um bom tempo.Nunca precisamos de velas aqui antes e isso é tão novo pra mim quanto pra vocês todas,meninas. – deu um forte suspiro e tomou a fala,rapidamente – Eu não tenho idéia de que horas sejam,um almoço tem que ficar pronto,sabiam?Os relógios são todos digitais aqui nessa casa e pelo jeito, elas não gostam muito de pilhas.
- Honestamente Marie,que se dane o almoço.Nós aquecemos a comida,Karine nem sequer almoçou aqui ontem e duvido muito que Victória se lembre do que comeu. –Disse Cíntia com uma voz meio gingada meio cantada
.
Marie olhou distraída para Cíntia,como se estivesse mergulhada na parte mais funda de uma piscina azul.Pressão nos ouvidos,sons disformes e olhar distante.A desatenção não passou nem um pouco despercebida e só piorou quando um vago aceno de cabeça se fez.Cíntia foi ignorada e ela não gosta disso.Tinha suas razões.
- Preciso falar com vocês duas,é algo sério.- Disse Marie, com meia voz , apontando para Jaque e Cássia. Embora fosse escuro todas notaram a fulminante troca de olhares entre Ana e Cíntia.O clima pesou dentro da casa e não aliviou lá fora,não importasse o quanto chovesse.
As três levantaram-se formalmente, prendendo uma à outra com o olhar e foram em direção á cozinha,passos rápidos,bocas coçando.A porta de correr fechou com um estalido seco.As cabeças grisalha,ruiva e morena se encontraram,os olhos se fitaram por um momento e então Marie disse: “Meninas,acho que tem alguém lá fora,espreitando,eu vi a sombra de um homem!”.Embora o tom não tenha sido alto,ela parecia estar com um megafone e o chão já não parecia mais firme,ou eram as pernas moles,mas Cássia foi segurada pelas amigas.
Aquele homem só podia ser ELE!Ele veio me buscar.Oh Deus,tentei tanto escapar.Ele achou a casa,achou a minha irmã e depois me achou.Cadê aquela mulher forte que sou?Ela nasceu quando minha filha nasceu e morreu quando minha filha foi tirada de mim,alguém em algum lugar de sua cabeça respondeu.Amanda.Minha filhinha,será que está fazendo sol aí?Será que o Orfanato é um bom lugar?Deixe de besteiras mulher!Orfanatos nunca são bons lugares.Nunca se cantam a alegria,só há a dor da solidão em suas vozes.Era verde. O que era verde?O Orfanato,verde.Tudo lá era verde.Será que Amanda usa verde?Ela sempre odiou verde!Você a abandonou,a voz tornou a repetir.Eu a abandonei?Não,não,ela foi tirada de mim!A voz era dela.Sozinha,sem mãe,sem pai. E se tiver chovendo estará também sem luz?Queria tanto ver seus olhinhos negros. Passaram-se três anos desde a última vez...que dor perder,que dor não ter.Amanda.
- Amanda? Amanda?- Cássia abriu os olhos para uma claridade alaranjada,a pupila dilatou e contraiu,os olhos doeram. – Cássia?Você está bem?Desmaiou na cozinha.Está me ouvindo?Abra os olhos. – Muito devagar ela tornou-se a ficar reta,o corpo doeu um pouco,mas nada comparado a cabeça. – Meu Deus, o que aconteceu?-
Estávamos conversando,recém entrado na cozinha e você simplesmente apagou.Aah,desculpa amiga,mas foi rápido demais!- A voz de culpa vinha de algum lugar à sua esquerda e agora com uma vela nas mãos de Ana Paula,a loirinha, ela pode ver melhor a preocupação estampada nos rostos daquelas mulheres,a tempestade não era nada perto daquilo.Ela causara pânico desmaiando assim e aai!, batendo a cabeça no chão,concluiu o pensamento.Por isso as desculpas da Ana...
- Tudo bem,não foi nada mesmo- esboçou o sorriso mais doloroso de todos e olhou mais uma vez pra elas,que formavam um meio círculo ao seu redor: Jaque com sua testa dois dedos maior que o normal, sobrancelha bem desenhada ,olhos da mesma cor de mel, pele delicada e alva,queixo fino,cabelo castanho claro e muito crespo além de sardinhas, completavam um rosto muito encantador,difícil não se apaixonar.Depois para Ana Paula, fixando em seus olhos olhos grandes e verdes,sempre pintados com lápis,delineador e muito rímel.Eram muito expressivos.Pele pálida e boca meio grudenta por causa do gloss de morango.Essa era ela.Ah,claro que o cabelo platinado que caía até a cintura não podia faltar,não seria a Ana Paula sem ele.Fitou com curiosidade Cecília,a rainha da Selva,como gostava de chamar e gostou do que viu,isso lhe incomodou um pouco. Os olhos grandes e negros,profundos e serenos como a noite,ou maus e sem esperança como a vista de um profundo poço, contudo era de fato sedutor,até quando não seduzia,algo natural.Armadilhas da natureza...quis rir,mas ela ainda sentia dor.A boca de Cecília,era recortada de revistas e editada em fotoshop,ou, uma dádiva sem nenhuma intervenção do homem. E depois Marie,a alguns centímetros dela.Linda e velha à luz alaranjada que desprendia da vela incandescente,boa e com segredos do passado ainda a serem desvendados também,mas uma mulher extraordinária,forte,organizada e amável.Com ela fechava o círculo de mulheres.
Recostou a cabeça no encosto da cadeira almofadada bege e branca ( não tinha percebido ainda que estava sentada) e TUDO veio muito rápido,como se despejado sem delicadeza em sua cabeça.
O homem lá fora.Ricardo,seu namorado.Quem era o homem?Sua filha,Amanda,no Orfanato.Victória rindo dela.A casa que ela estava não era dela,era de alguém que segundo sua mãe,era irmã de sangue,mas nunca de alma.O cansaço da manhã de trabalho,o uniforme e a tentativa de machucar Cássia.As palmas mostrando o sucesso de Karine,cravadas a unha. TUDO. Sua mãe no caixão em um dia de chuva como esse que insistia em não parar,ela mesmo chorando horas sobre sua cama na lavanderia.O presente de ninguém,com fita Royal.Hipoglós.E um homem lá fora. PERIGO. Isso é perigo.Mas só conseguiu perguntar:
“Quem foi que trouxe as velas do porão?”. A resposta veio rápida. “Eu.Fui eu quem trouxe”. Jaqueline sorriu um pouquinho.Cássia queria dar um abração nela.Mas algo doeu mais forte e ela teve que falar.
“Eu caí dura assim?Do nada?”. “Na realidade não.Você ficou molenga,sabe?Parecia que não tinha ossos no corpo.”, foi Marie quem disse isso.
“E daí eu acordei agora?”. “Não exatamente”,disse Cíntia, a voz maldosa.”Você sibilava coisas,Cássia.Algo sobre uma tal de Amanda.E um homem também. Quem eram? Acho que já está na hora de você falar mais do seu passado,não acha?Ninguém aqui sabe nada sobre você!Ninguém sabe de onde veio,quem é!”
- Chega!Meus Deus Cíntia,que Jesus me perdoe,mas um dia você ainda vai morder essa língua e sentir o veneno nos dentes! – Marie estava quase púrpura,raivosa como ninguém nunca a vira antes.Levantara-se num pulo realmente surpreendente para sua idade.
- Eu só disse o que estava pensando!Aliás o que todas nós pensamos!- Lançou um olhar aflito em busca de ajuda para Ana Paula e Jaqueline. – Ai,não entendo o que vocês duas tem que tornam tudo tão difícil.Segredos engolem segredos por aqui,né?Olha...
- Pára.Nem eu sei quem é essa Amanda,nem esse homem,Cíntia. Eu trabalhei de mais e não comi ainda.Foi estresse,glicose baixa,sei lá.Se eu conhecesse esse “tal homem” que tu fala,das minhas alucinações,ele não seria um homem,Cíntia.Teria nome.Isso tá ridículo.Ninguém ta protegendo ninguém,a Marie só quer manter tudo certo entre nós. Okay?”. – A voz calma de Cássia fez surtir um efeito em todos ali. Uma dose de realidade e bom senso.Tudo fabricado,é claro.Odiou-se por deixar que ouvissem seus pensamentos,odiou-se por se entregar tão facilmente,mas concertara tudo.Só com uma mentirinha.
* Mentir não foi assim tão difícil,foi?Ela era uma mentirosa.Mas gostava disso,a mentira faz as coisas parecerem seda quando são lã. *
Um silêncio do tamanho da casa nasceu e ali ficou,típico depois de brigas como essas.Elas se olharam chateadas,raivosas e chateadas de novo.
Mas um barulho forte,firme e perigoso,equivalente a corações saltitantes e nós na garganta quebrou-o,alto como um jarro sendo jogado na parede,estridente como o roçar de dentes.Mas como o quebrar do jarro,o estalo do chicote ou a explosão de foguetes e bombinhas,ele foi rápido,porém suficientemente poderoso para acordá-las colocá-las em estado de alerta.Mais três batidas desesperadas na porta de madeira da sala fizeram-nas terem vontade se encolher até sumir.O silêncio renasceu agora,não das cinzas,mas das poças fora da casa.Só foi interrompido,segundos depois, pela perturbante imagem recém surgida de um homem alto e “caramba, ensangüentado!”, em maltrapilhos, com a cabeça encostada no vidro,ele olhava para os pés e para trás.Lá fora parecia um grande aquário e ele era a comida do tubarão,hoje.Ele levantou os olhos,num movimento rápido e percebeu que tinha a atenção agora. Elas congelaram ao fitar os olhos azuis e inchados que ‘Meu Deus!”, olhavam pra elas também.Era raiva ou medo?Dor ou solidão?Aquele peixe estava morrendo de algo ou querendo matar? Logo elas descobririam que lá fora e aqui dentro não era tão diferente,não eram mundos tão distantes.Segredos e mistérios pipocam em todos os aquários,e por hora,elas só eram peixinhos fora d’água. Por hora...
domingo, 4 de julho de 2010
Onde fica o seu refúgio mais feliz?Aquele lugar onde tudo brilha como ouro,onde a água é fresca,onde o céu é da cor que você quer..
Onde fica,querida?Perdido na página de um livro?Encontrado no reflexo de um disco?
E como é?
Tem trigo,tem vinho,tem mulher,tem criança,é vazio,tem amor,tem sexo,tem vida?
Me conte!
Sério,como é o lugar ideal pra você?
Como é o som do vento batendo nas palmeiras?Elas são azuis com roxo?
Amarelo com gris?
Vamos lá,guris! Me ajudem!
Lá a areia é prata?Lá a gente não trabalha?Ou só faz o que gosta?
O que se gosta?Lá tem bosta?Hahaha.
Lá tem dor?É uma bolha ou ilha?Como se chega lá?
Tenho medo de avião e de barco.Medo que o avião caia,que o barco afunde,que não chegue no meu mundo.
- Apenas abra esse livro e chegarás lá.É fácil.É rápido e é ótimo.Agora,vá,sente-se ali e prepare-se para a viagem.
Não me pergunte mais,pois o final se canta em silêncio.
Pobre amigo meu
Pobre amigo meu
Deitado no banco,tremendo a alma e chorando por alguém que não vale uma gota de sal.
Ficando branco como gelo na nuca,ficando gelo como sal na boca.
Recuperando a tequila,e vomitando a pressão.
Oh,pobre amigo meu.
Quer mais cigarro,mas o coração está fraco.
Quer dançar,mas as pernas morreram.
Acorde,acorde.
____________________________________--
Alguem pega a perna,rápido!,chama a ambulância.
Eu não vou chamar a ambulância!Todos vão ficar olhando!
Não seja ridículo! Ele é teu amigo.
Gente,deu pra mim, eu vou entrar.
Eu tô com medo. Eu não sei o que fazer.
____________________________________________--
Oh,querido amigo.
Não tenho medo da morte,medo do sono escuro ou medo do frio.
Tenho medo de um dia estar assim,velado sobre um banco de praça,
por estranhos velhos conhecidos.
Mas teus amigos de bebida tem nojo do teu mal estar.
Nojo do teu mal ficar e não tem pena do teu eterno sonhar.
_____________________________________________--
Ele acordou, levanta aqui. Não,sério,me dá teu casaco,ele ainda tá tremendo!
Nãonãoeutôbem.
Eu quero entrar.
____________________________________________--
Você é tão lindo,tão querido,tão tolo.
Corre por alguém que coleciona sentimentos manipulados.
Pede fôlego para sobreviver mais um dia,todos os dias,toda a semana.
Todo coração.
Você está novo,dançando,beijando,parece que nada aconteceu.
Mas eu vi. Vi a tristeza nos teus olhos,vi a dor no teu rosto e vi a morte na tua alma.
_________________________________________________________--
Que bom que tu tá melhor.Não sabe o susto que me deu!
Quero que tu me prometa três coisas,tá bem?
O quê?
Não anda mais com essa gente,eles não são teus amigos. Tavam rindo de ti,por eles tu tava morto,sabia?
Desculpa.Obrigado.Tudo bem.
Me promete que não vai correr atrás de quem não te merece,que brinca contigo e que só tá querendo te usar.
Prometo. (euseiquevocêmentiu)
E a última e mais importante;
O quê?
Quando for tomar um porre assim me convida antes,seu tapado!
Um sorriso.
Dois sorrisos.
______________________________________________________________--
Oh,pobre amigo meu.
Deitado no banco,tremendo a alma e chorando por alguém que não vale uma gota de sal.
Ficando branco como gelo na nuca,ficando gelo como sal na boca.
Recuperando a tequila,e vomitando a pressão.
Oh,pobre amigo meu.
Quer mais cigarro,mas o coração está fraco.
Quer dançar,mas as pernas morreram.
Acorde,acorde.
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Alguem pega a perna,rápido!,chama a ambulância.
Eu não vou chamar a ambulância!Todos vão ficar olhando!
Não seja ridículo! Ele é teu amigo.
Gente,deu pra mim, eu vou entrar.
Eu tô com medo. Eu não sei o que fazer.
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Oh,querido amigo.
Não tenho medo da morte,medo do sono escuro ou medo do frio.
Tenho medo de um dia estar assim,velado sobre um banco de praça,
por estranhos velhos conhecidos.
Mas teus amigos de bebida tem nojo do teu mal estar.
Nojo do teu mal ficar e não tem pena do teu eterno sonhar.
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Ele acordou, levanta aqui. Não,sério,me dá teu casaco,ele ainda tá tremendo!
Nãonãoeutôbem.Eu quero entrar.
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Você é tão lindo,tão querido,tão tolo.
Corre por alguém que coleciona sentimentos manipulados.
Pede fôlego para sobreviver mais um dia,todos os dias,toda a semana.
Todo coração.
Você está novo,dançando,beijando,parece que nada aconteceu.
Mas eu vi. Vi a tristeza nos teus olhos,vi a dor no teu rosto e vi a morte na tua alma.
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Que bom que tu tá melhor.Não sabe o susto que me deu!
Quero que tu me prometa três coisas,tá bem?
O quê?
Não anda mais com essa gente,eles não são teus amigos. Tavam rindo de ti,por eles tu tava morto,sabia?
Desculpa.Obrigado.Tudo bem.
Me promete que não vai correr atrás de quem não te merece,que brinca contigo e que só tá querendo te usar.
Prometo. (euseiquevocêmentiu)
E a última e mais importante;
O quê?
Quando for tomar um porre assim me convida antes,seu tapado!
Um sorriso.
Dois sorrisos.
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Oh,pobre amigo meu.
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